4 sugestões para incrementar os próximos jogos olímpicos

Vantagem de torcer pra pré-adolescente é que não vão ficar discutindo em quem ela votou em 2018

Jogos olímpicos infantis e indoor: Num mundo cada vez mais hostil e excludente, cabe ao esporte oferecer não apenas inspiração como também entretenimento, alegria e inclusão. E nada mais eficiente nesse sentido do que inserir, além dos Jogos Olímpicos de Verão e de Inverno, mais duas competições, que seriam realizadas intercaladamente, a cada 4 anos, nos anos ímpares que precedem os dois torneios mais tradicionais.

Na esteira das demonstrações esportivas de altíssimo nível realizadas por crianças e pré-adolescentes durante os Jogos de Tóquio, as Olimpíadas Infantis ofereceriam não apenas muita competitividade como o elevado padrão de entretenimento que apenas pequenas pessoas realizando atividades normalmente consideradas adultas podem oferecer. Você gosta de judô? Imagine duas crianças bem fofinhas lutando e caindo. Natação é legal? Agora pensa se todos os nadadores tiverem seis anos, usarem bóias de braço, e beberem suco Kapo no aquecimento? Simone Biles é excelente, mas você já viu minha afilhada dando cambalhota? Adorável, bicho, sério.

Já os Jogos Olímpicos Indoor, ou Jogos Olímpicos de Bar, ampliariam a tendência dos últimos anos de inserir cada vez mais atividades que antes eram questionadas como esporte, permitindo que paixões nacionais como a sinuca, o truco e até mesmo a porrinha finalmente tivessem seu reconhecimento. Além disso, também seria uma maneira de incluir no campo esportivo outros tipos de corpos, valorizando grupos muitas vezes marginalizados na prática de atividade física, como o “homem barrigudo de meia idade que se correr infarta” e a “tia idosa fumante que tem uma voz muito rouca”.

“No pódio do amor, o que importa é sua gata estar sempre em primeiro lugar”

Modalidade romance misto para casais: Como foi brilhantemente demonstrado por Gabriel Medina e Yasmin Brunet, o romance é um esporte que, quando praticado em alto nível, é capaz de mobilizar multidões, seja torcendo contra ou a favor. Então por que não oficializar isso, transformando em uma verdadeira modalidade olímpica?

Sim, casais do mundo todo, dos mais variados gêneros e orientações sexuais, hospedados na vila olímpica e sendo avaliados por uma equipe de jurados dentro de critérios como “conteúdo produzido para redes sociais”, “desconforto gerado para solteiros nas proximidades”, “apelidos carinhosos”, entre outros, que permitiriam premiar os pares mais românticos do planeta, finalmente reconhecendo o talento e categoria daquele seu amigo que tem perfil de Facebook com a esposa, daquela sua parente que só fala do namorido, daquele casal de amigos que realmente fica brincando de “cadê a momolada? axoooo, axooo a momolada linda, momolada não sumiu” em público, gerando constrangimento em bares e restaurantes.

“Vamos agora escolher o ocupante da raia 6 da prova dos 100m rasos”

O participante por sorteio: Conceito já difundido anteriormente na internet, o participante por sorteio serviria como um referencial humano, ajudando a ilustrar para o espectador o quanto um atleta de verdade, por pior que seja, está absurdamente distante de alguém normal, como eu e você. Tudo isso através de um formato de inscrição online, em que voluntários sem absolutamente nenhum preparo, poderiam disputar, dentro de um sistema totalmente aleatório, uma oportunidade de participar dos Jogos Olímpicos.

Achou que o nadador brasileiro era muito lento? Veja esse homem adulto praticamente se afogando só porque a piscina não dá pé. Riu da búlgara do salto em distância? Seja lembrado que a impulsão normal de um ser humano comum mal passa por cima de uma poça. Zombou da skatista chinesa por ter caído? Agora vai lá você que nem consegue ficar em cima do skate, ô arrombado. O participante por sorteio não só ajudaria a valorizar e compreender melhor a importância do treinamento de um atleta como ainda garantiria ao espectador não apenas o entretenimento de ver uma pessoa comum caindo de um trampolim diante do mundo todo como também uma dose de humildade para os analistas esportivos de sofá.

“O número de negocinhos que eu tomei antes de correr”

Categorias de doping ilimitado em todos os esportes: Como qualquer um que pratica futebol apenas aos fins de semana, ganhou um par de patins in-line na infância ou acompanha a rotina de lesões do zagueiro Rodrigo Caio bem sabe, a ideia de que “esporte é saúde” está cada vez mais ultrapassada. Seja porque aparentemente todo mundo que ganhou a Volta da França até hoje estava dopado, seja pelos danos que o esporte de alto nível vem causando no psicológico de atletas de ponta, seja porque com azar o bastante você se machuca até jogando War, a verdade é que já passou da hora de dissociar a competição esportiva de qualquer ideal de vida saudável.

E ainda que isso seja uma perda para o ramo dos exames laboratoriais, com certeza se torna uma grande oportunidade para área do entretenimento. Afinal, o quão rápido podem correr atletas absolutamente dopados de remédio? O quão divertida pode ser uma luta greco-romana em que um dos atletas teve a total liberdade para inserir geneticamente mais um braço em sua nuca e dar tapa pelas costas? Se você depois de 10 cervejas acha que consegue pular qualquer muro, imagina um atleta profissional do salto em altura? Sim, as possibilidades são infinitas.

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quando eu tinha 10 anos uma professora disse que eu escrevia bem. até hoje estamos lidando com as consequências desse mal-entendido

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João Luis Jr.

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